Quando o Operador é o “Dono” (Parte 1)

Quando o Operador é o “Dono” (Parte 1)

Quem tem “Senso de Dono” (ownership) se torna o profissional dos sonhos de muitas empresas. É aquele cara engajado, que supera as expectativas ao desempenhar sua função e entrega resultados de alto nível. Ele age assim porque está alinhado com os valores e com a cultura da empresa, e assim vê valor e propósito no que faz.

Mas será que o senso de dono pode ser desenvolvido? Eu acredito que sim. Se a pessoa tem as virtudes e talentos alinhados à determinada posição, ela será capaz de aprender continuamente e, à medida que vai ganhando expertise, conquistar autonomia para decidir a melhor maneira de conduzir suas tarefas e assim responder pelos resultados. Isso se parece com senso de dono?

Neste contexto, imagine o resultado de uma linha de produção na qual o Operador é o dono do seu processo.
Imagine por um momento que ativo da sua empresa é um automóvel, que o Operador é o piloto e que o objetivo é ganhar uma corrida por dia.

Você, como bom líder, transferiu ao Operador de forma estruturada todos os fundamentos do automóvel, ou seja, como ele funciona, como deve ser conduzido com segurança e que tipo de cuidados e de manutenção ele precisa para que cumpra suas metas.

Você também conversa frequentemente com o Operador sobre as expectativas para cada corrida e o capacita sistematicamente para que ele tenha domínio sobre os processos, o que significa que ele entende o trajeto, conhece os limites da estrada, as regras de ouro de Segurança e as regulamentos da corrida.

Neste mundo perfeito, ninguém melhor que o Operador para ser o dono do processo. Assim, ele vai dirigir o carro na maior velocidade possível, respeitando os limites de segurança e os regulamentos da corrida. Vai manter o carro limpo e fazer a manutenção básica, colocando combustível, verificando a pressão dos pneus, o nível de óleo do motor e outros. À medida que ele se desenvolve, pode até trocar o óleo do motor e as pastilhas dos freios, seguindo a tabela de manutenção. E se ele precisar de ajuda? Todos, inclusive seu Supervisor estarão disponíveis para servi-lo.

O Operador-dono nunca deixará que o carro sofra um dano maior. Afinal, como dono, ele conhece o ativo como ninguém e vai parar o carro na oficina ao perceber um ruído diferente. Apesar de não conhecer o motor por dentro, ele conduzirá o mecânico à solução do problema, pois conhece o comportamento da máquina, sabe descrever os sintomas e localização da falha.

O Operador-dono não executará as revisões do carro, mas cuidará para que os serviços de manutenção preventiva especificados sejam cumpridos no tempo certo.

Mas o oceano não é assim tão azul. Na prática faltam profissionais com este perfil e aqueles que tem esse dom acabam esbarrando na falta de autonomia e de incentivos.
Por isso, quem quiser encarar o desafio de transformar o Operador em “dono” ou cliente colocando-o no “centro das operações”, tem que estar disposto a virar a própria mesa. É uma jornada e tanto que envolve mudanças de modelos mentais de todas as áreas da empresa.

Eu já vi isso acontecer, e o resultado vale a pena. Num próximo post eu conto algumas experiências.

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