O reflexo do modelo mental de uma sociedade
O que é Cultura — e por que ela define o destino de uma empresa
Cultura é o conjunto de valores, crenças, hábitos e comportamentos compartilhados por um grupo — seja ele uma civilização, uma comunidade ou uma organização.
Em qualquer contexto, a cultura é o alicerce invisível sobre o qual tudo se sustenta.
No ambiente corporativo, ela molda a forma como as pessoas pensam, tomam decisões e se relacionam com o trabalho.
💡 Resultado sem cultura não se sustenta. Uma empresa ou um país só prosperam quando seus valores e comportamentos coletivos estão alinhados à excelência, à ética e ao aprendizado contínuo.
Assim como um país reflete a mentalidade de seu povo, uma empresa é o espelho do modelo mental de seus líderes e colaboradores.
Quando uma organização enfrenta dificuldades de desempenho, produtividade ou clima interno, o problema quase sempre está enraizado em sua cultura — e não apenas em sua estratégia.
A cultura brasileira e seus impactos no ambiente corporativo
Ao analisar a cultura corporativa no Brasil, é inevitável perceber que os traços culturais do país se refletem dentro das empresas.
Desde a fundação do nosso país, aspectos como a normalização do baixo nível de escolarização, a informalidade nas relações, a aversão ao debate, a crença em soluções imediatistas e o desprezo pelas regras, principalmente de segurança, moldaram o comportamento coletivo do nosso povo.
Existe, porém, um desafio histórico ainda mais perverso: a resistência a modelos baseados em meritocracia e accountability. Tais sistemas comprovadamente criam valor para quem se dispõe a assumir mais responsabilidades e a entregar mais resultados, e são largamente aplicados em sociedades mais desenvolvidas.
Infelizmente, na contra-mão da criação de riqueza, o brasileiro reflete um modelo mental mais dependente do que empreendedor, tendendo a transferir a culpa pela estagnação profissional ao sistema, à empresa ou à liderança.
A cultura de um país determina o limite da evolução de suas organizações.
Empresas não crescem além da mentalidade de seus colaboradores.
O desafio das multinacionais no Brasil
A implementação da cultura corporativa de empresas multinacionais americanas ou europeias no Brasil tende a ser um dos maiores desafios dos gestores.
Enquanto nos Estados Unidos e na Europa a autonomia, a responsabilidade e o reconhecimento por mérito são pilares centrais, no Brasil ainda prevalece a expectativa por estabilidade, benefícios e proteção institucional.
Profissionais brasileiros, amparados por leis trabalhistas arcaicas e caras, esperam que a empresa assuma o papel de “provedora” em vez de parceira de desenvolvimento. O resultado é um desalinhamento entre propósito organizacional e comportamento individual.
O resultado, via de regra, é a vitória do “jeitinho brasileiro” sobre a cultura organizacional, que acaba por privilegiar aqueles que são bons em “fazer média”, sobrepondo a política ao mérito. Essas distorções exigem que os líderes gastem mais energia se defendendo de “fogo amigo” do que gerando resultado.
Se não bastassem todos esse desafios, existe ainda algo crucial, que desafia a “virada-de-chave” na cabeça dos funcionários: a questão estrutural dos salários no Brasil.
Vivemos num país onde o piso salarial da grande maioria dos profissionais operacionais é incapaz de assegurar o mínimo de dignidade a estes trabalhadores, enquanto as empresas pagam altos encargos sobre estes salários ao governo. E, como típicos brasileiros, fingimos que esse problema não existe.
Enfim, o sucesso na implementação da cultura corporativa depende da superação das tensões internas criadas por estes contrastes. É justamente neste ponto que os líderes costumam falhar miseravelmente.
Recursos Humanos: guardiões e facilitadores da cultura
O papel das áreas de Recursos Humanos é crucial na construção e disseminação da cultura corporativa. No meu ponto de vista, o RH deve atuar para que os seguintes fatores permaneçam na pauta dos líderes:
- Cultura é atitude, não discurso. Comportamento exemplar e liderança pelo exemplo devem ser a expectaviva mínima.
- Gestão ativa sobre o papel dos líderes na aplicação da cultura e no desenvolvimento das pessoas.
- Assegurar a percepção de coerência e justiça nas movimentações que envolvam reconhecimento, promoções e demissões.
- Levar a realidade das pessoas em consideração. Não se trata de adaptar a cultura, mas esta só será assimilada pelo operador se facilitar o seu trabalho.