Quando o Operador é o “Dono” (Parte 2)

Quando o Operador é o “Dono” (Parte 2)

Quando o Operador é o “dono” do processo, uma janela de oportunidades para capturar maior valor das Operações se abre.

Porém, para que o Operador esteja apto a assumir o controle, é preciso empreender uma jornada que envolve quebra de paradigmas e transformações pessoais em todas as áreas da empresa. Um desafio e tanto, mas altamente compensador.

Como implementar:

PASSO 1

  • Definir o equipamento, célula ou linha de produção a ser priorizado usando critérios objetivos e que estejam alinhados com a Visão do negócio.
  • Definir uma Visão para o projeto, considerando as transformações que devem ser feitas: empoderar o Operador, líderes servidores e procedimentos/ controles conectados à realidade do Operador.

PASSO 2

Definir o time, no qual a peça chave é o Operador. Portanto, desde o início o Operador deve estar envolvido na construção da nova jornada. O time deve ser multidisciplinar e contar com o apoio do Supervisor direto, Gerente de Produção, Manutenção, Engenharia de Processos, EHS e RH.
Antes de seguir para o passo 3 é fundamental desdobrar a Visão e as etapas do projeto ao time e a todos os stake holders.

PASSO 3

Depois de tudo comunicado e acordado com o time, é hora de colocar a mão na massa.
Para que esta etapa seja bem sucedida, é preciso construir um cenário onde os elementos abaixo estejam presentes:

  • Equipamentos operando de forma previsível e estável;
  •  Transferência estruturada de conhecimento ao Operador;
  • Operador ganhando autonomia à medida que vai se tornando “mestre” do seu processo;
  • Reconhecimento dos resultados.

A primeira coisa a fazer é retornar a célula à sua capacidade de produção “ótima”. Isto não significa necessariamente grandes reformas no equipamento, e sim executar análises críticas nos seguintes pontos:

  • Modificações instaladas no equipamento: Se tem razão de ser devem estar devidamente documentadas. Do contrário devem ser eliminadas e voltar à condição de projeto.
  • Plano de Manutenção: O equipamento atende às expectativas de disponibilidade? As melhores práticas de manutenção estão sendo aplicadas? Equipamentos críticos estão associados a um modo de falha? O que pode ser transferido para o Operador executar? Quais as oportunidades para redução de custo?
  • Procedimentos de operação e processo, principalmente no que se refere a eliminar tarefas desnecessárias e a ter somente bons parâmetros . Os fundamentos da operação devem ser revisitados.

Os desafios de analisar criticamente equipamento, manutenção e procedimentos são a melhor forma de transferência de conhecimento. Se executado com humildade intelectual, o desafio de confrontar “o que” e “como” é feito hoje com os fundamentos técnicos da operação será revelador. É aqui que o Operador aprende porque ele faz o que faz e aprende também a como cuidar do seu equipamento. Além disso, nestas discussões surgem opções mais eficientes de execução de procedimentos e, pasmem, se descobre que certas modificações não fazem mais sentido.

Reforço que o Operador deve participar ativamente de todos os fóruns. Isto é muito importante considerando que muitas falhas de processo ocorrem porque decisões de introduzir novos procedimentos ou controles quase sempre ocorrem em salas de reunião, longe da rotina da operação e longe daquele que está na linha de frente e pode conhecer detalhes que passam desapercebidos de Engenheiros e Supervisores.

Num dos projetos que participei, por exemplo, o Operador tinha que fazer uma ronda em seu processo a cada duas horas. Executando o procedimento passo a passo, descobrimos que a ronda demorava no mínimo uma hora e meia. Absurdo? Sem dúvida! Apesar de todas as boas intenções, este foi o resultado de diversas modificações e inclusões de controles feitas ao longo do tempo sem parar para ouvir a pessoa encarregada da execução.

Assim, além da transferência de conhecimento técnico e teórico, é importante que Engenheiros de Processo e Técnicos de Manutenção acompanhem o Operador nas primeiras execuções do novo cenário, e façam o acompanhamento em campo quantas vezes for necessário.

PASSO 4

Depois da implementação do passo 3, que sem dúvida é a etapa onde se deve investir mais tempo, é hora de reescrever a descrição de função do Operador, que a esta altura já deve estar trilhando os primeiros passos como “dono” do seu processo.

A partir daqui o Operador deve estar em condições de atuar de forma autônoma e conquistar mais direitos de decisão à medida que demonstra seu conhecimento e accountability.

É possível que ocorra uma reversão da trilha de carreira, dependendo da estrutura organizacional da empresa. Ou seja, no modelo tradicional os Operadores buscam migrar para a Manutenção para crescer. Se devidamente valorizada, a posição de Operador “dono” pode significar crescimento para os Técnicos de Manutenção.

PASSO 5

Reconhecer os resultados.

* * *

A construção da realidade onde o Operador é o “dono” leva de dois a três anos para consolidar resultados superiores. Melhorias gerais, porém, não demoram a ser notadas, como engajamento em todos os níveis da operação, redução de acidentes, redução de desvios de processo e outros.

O caminho é desafiador, mas a criação de valor é certa

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